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4 personagens do cinema que ilustram conflitos internos comuns

Conflitos internos são parte da experiência humana e costumam aparecer de forma intensa e simbolicamente rica na arte — especialmente no cinema. Muitos personagens expressam dores, angústias, dúvidas e dilemas que todos nós enfrentamos em algum momento da vida. Por isso, analisar essas histórias pode nos ajudar a compreender melhor os próprios conflitos internos, perceber como lidamos com eles e reconhecer que não estamos sozinhos diante das nossas lutas emocionais. 

Neste artigo, conheça quatro personagens marcantes que ilustram conflitos internos profundos e que dialogam com a experiência psíquica segundo uma perspectiva psicanalítica.

1. Coringa (Arthur Fleck) – A luta entre sofrimento, rejeição e busca por pertencimento

Arthur Fleck, protagonista do filme Coringa, é um dos personagens que mais evidenciam conflitos internos relacionados à identidade, à exclusão social e ao desejo de reconhecimento. Vivendo à margem da sociedade, ele tenta lidar com uma dor emocional que não encontra espaço de acolhimento.

A psicanálise nos ajuda a entender que os conflitos internos de Arthur não surgem do nada: eles são resultado de traumas, rejeições e experiências de abandono que moldaram sua forma de ser. O filme mostra como a falta de escuta e cuidado emocional pode intensificar impulsos destrutivos — voltados tanto contra si quanto contra o mundo.

Ao observar sua trajetória, percebemos como a ausência de vínculos afetivos e a repetição de violências podem distorcer a construção do self. Arthur não sabe quem é; ele se sente invisível. Seus conflitos internos crescem justamente desse vazio, dessa ferida de reconhecimento que nunca cicatrizou.

2. Divertida Mente (Alegria e Tristeza) – A dificuldade de integrar emoções contraditórias

Mesmo sendo um filme infantil, Divertida Mente oferece uma das representações mais sensíveis dos conflitos internos. As emoções personificadas mostram de forma clara como a vida psíquica é formada por impulsos que se contradizem, se chocam e, ao mesmo tempo, se completam.

Na narrativa, Alegria tenta assumir o controle absoluto, acreditando que sentimentos tristes atrapalham. Essa negação da dor é um reflexo de conflitos internos muito comuns na vida real: o desejo de ser forte o tempo todo, a dificuldade de aceitar fragilidades, a tentativa de esconder sofrimento para atender expectativas externas. 

A psicanálise entende que não há elaboração emocional sem acolhimento da tristeza, do luto e da frustração. O filme mostra exatamente isso: a verdadeira maturidade surge quando Alegria reconhece a importância da Tristeza. Ou seja, integrar emoções opostas é essencial para diminuir conflitos internos e construir uma vida emocional mais inteira.

3. O Lado Bom da Vida (Pat) – A busca por controle após o rompimento emocional

Pat, protagonista de O Lado Bom da Vida, vive uma crise profunda após o fim de seu casamento e um colapso emocional. Seus conflitos internos aparecem na dificuldade de aceitar o que aconteceu, na tentativa obsessiva de “consertar o passado” e na resistência em lidar com suas próprias vulnerabilidades.

Muito do seu sofrimento vem do choque entre aquilo que ele deseja e aquilo que realmente ocorreu. Esse descompasso entre realidade e expectativa é um terreno fértil para conflitos internos — especialmente quando a pessoa tenta manter uma imagem idealizada de si ou das relações.

A psicanálise ajuda a compreender a dor que surge quando a perda desmonta defesas psíquicas. Pat tenta controlar tudo, mas o controle é justamente o que o aprisiona. Sua jornada mostra que atravessar conflitos internos exige contato com a verdade emocional, aceitação da própria fragilidade e construção de novos significados para o que foi vivido.

4. Cisne Negro (Nina) – A disputa entre perfeição e espontaneidade

Nina, personagem central de Cisne Negro, vive uma batalha intensa entre o desejo de perfeccionismo e a necessidade de liberdade criativa. Seus conflitos internos ficam evidentes na tentativa de controlar o corpo, as emoções e até os próprios impulsos.

Criada em um ambiente rígido e superprotetor, ela aprendeu a reprimir tudo o que considera “imperfeito”, desenvolvendo um ideal de performance inatingível. Os conflitos internos de Nina revelam como a busca obsessiva pelo ideal pode gerar angústia, ansiedade e até desorganização psíquica.

O filme mostra que, para alcançar autenticidade, é preciso permitir que partes reprimidas da personalidade emerjam — algo que a psicanálise trabalha profundamente: integrar o que é reprimido, aceitando que o sujeito é múltiplo, imperfeito e em constante construção.

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Conclusão

Esses quatro personagens representam diferentes formas de viver conflitos internos: a busca por reconhecimento, a luta contra emoções negadas, o esforço de controlar feridas profundas e o confronto entre perfeição e liberdade. Cada um deles mostra que os conflitos internos fazem parte da condição humana e que negá-los só aumenta o sofrimento. 

A psicanálise nos convida a olhar para essas narrativas — e para a nossa própria — com mais profundidade, percebendo que compreender e elaborar conflitos internos é um caminho de transformação. O cinema, ao retratar essas emoções, nos ajuda a enxergar nossos próprios movimentos internos e a reconhecer que há espaço para crescer mesmo nos momentos mais desafiadores.

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